27/01- Comércio contratou mais no Vale do Aço

A vocação econômica do Vale do Aço não se confirmou em 2011 se levado em consideração dados disponibilizados pelo Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged). Nos municípios de Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso, que integram a Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), o setor metalmecânico apresentou um saldo negativo de 4.198 postos de trabalho entre admissões e demissões, no decorrer dos últimos 12 meses, conforme dados analisados pela reportagem. O número de contratações na RMVA, no período foi de 10.540, contra 14.738 desligamentos.

Já a construção civil, outra área que costumava alavancar a economia local, também não demonstrou bons números. O setor contratou 14.318 operários e demitiu outros 14.941. A variação negativa foi de 623 postos de trabalho. A surpresa ficou por conta do comércio. Dividido entre o atacado e o varejo, o segmento econômico apresentou números favoráveis: 878 novas vagas ocupadas.

Quanto aos dados gerais, a geração de emprego também demonstrou um saldo negativo. Enquanto 63.491 pessoas conquistaram um lugar no mercado de trabalho em 2011, outras 65.421 saíram de cena.

Em Ipatinga e Timóteo a realidade global foi refletida nos números apurados. Mesmo com as maiores empresas da região concentradas em seus territórios, as duas cidades mais demitiram do que contrataram ano passado.

A indústria metalmecânica foi a principal responsável por esta realidade. O Caged apontou a criação de 7.852 novos empregos em Ipatinga no setor. Mas o número de dispensados foi 11.592. O comércio foi o responsável por equilibrar a conta. O setor foi o único a registrar alta, com 746 contratações no maior município da região.

Centro
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Ipatinga, Márcio Penna, a informação confirma o potencial que o município tem aprimorado nos últimos anos. “Cada vez mais Ipatinga se destaca como um centro de compras para toda a região. Além do Centro, temos o shopping e inúmeros outros locais que têm movimentado cada vez mais esse tipo de negócio. Isso nos faz concluir que o Vale do Aço passa a contar com novas e potenciais áreas para investimentos”, opina.

Na vizinha Timóteo, o órgão vinculado ao Ministério do Trabalho registrou 1.973 admissões e 2.485 desligamentos na indústria.  “Quem paga a conta é sempre o trabalhador. Estes dados confirmam a linha que os empresários têm de preservar questões financeiras em detrimento às necessidades sociais. O curioso é que a produtividade destas empresas não diminuiu, mas sim os investimentos em mão de obra”, criticou Carlos Vasconcelos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo e Coronel Fabriciano (Metasita).

Em relação ao contexto nacional, o Ipatinga ocupou em 2011 o quarto pior lugar no balanço entre contratações e demissões atrás de Itapetinga (BA), Estreito (MA) e Campo Limpo de Goiás.

Perfomance
A única cidade que apresentou bom desempenho em todas os setores analisados pela reportagem foi Santana do Paraíso. Os trabalhadores tiveram mais oportunidades na indústria, no comércio e na construção civil. Na opinião do delegado do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Kléber Muratori, esta realidade é reflexo do término das obras que estavam em andamento na Usiminas e da demora na conclusão do Plano Diretor de Ipatinga.

“As obras da Usiminas foram responsáveis por empregar um grande volume de operários durante o tempo em que esteve a todo vapor. Com o término, foi natural que centenas de trabalhadores ficassem sem serviço num primeiro momento. O agravante disso foi a realidade que Ipatinga atravessa por estar sob a tutela de um TAC e na demora que se tem para concluir o Plano Diretor da cidade. Enquanto isso não acontece, os investimentos tendem a migrar para cidades vizinhas, como Santana do Paraíso”, avaliou o representante da entidade sindical.

Fonte: Jornal Diario do Aço